Cadernos Perdidos
Novo Projeto: Mundo Seco
Lixão abandonado.
Valeta
Restos de solas de sapato abandonadas.
Valeta
Restos de solas de sapato abandonadas.
Uma pessoa curvada e arfando de sede. Raspando os lábios, cavando e revirando o lixo a procura de algumas gotas de água. Suspira, desanima e desiste.
Se arrasta para outro lugar.
Mais um vai seguindo, e outro, e outro.
Todos vão embora.
Ele então tira uma garrafinha da mochila e dá um longo gole. A camera vai afastando e mostrando o nascer do sol lá no fundo. Mais um dia empoeirado está chegando.
The Walking Dead, a queda do governador - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
The Walking Dead, a queda do governador - Robert Kirkman e Jay Bonansinga, Galera Record, 266 p. 2013
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Do que eu falo quando eu falo de corrida - Haruki Murakami
Do que eu falo quando eu falo de corrida - Haruki Murakami, Editora Alfaguara Brasil, 2010, 152 p.
"Em 1982, Haruki Murakami decidiu vender seu bar de jazz em Tóquio para
se dedicar à escrita. Nesse mesmo período, começou a correr para se
manter em forma. Um ano mais tarde, ele completou, sozinho, o trajeto
entre Atenas e a cidade de Maratona, na Grécia, e viu que estava no
caminho certo para se tornar um corredor de longas distâncias. Neste
livro, ele procura refletir sobre a influência que o esporte teve em sua
vida e, sobretudo, em seu texto."
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Buenos Aires
Só um rascunho...
Buenos Aires - carnaval de 2014 - silêncio e ruídos (deserto e ocupação)
Buenos Aires - carnaval de 2014 - silêncio e ruídos (deserto e ocupação)
Moro no sul do Brasil, nunca gostei de carnaval mas ele sempre acha um meio de se infiltrar nas mídias e contaminar nossos ouvidos. Este ano resolvi fugir dos sons alegóricos e de qualquer notícia impressa ou lembrança televisiva sobre o assunto. Voei até Buenos Aires para passar o feriado, desviando cuidadosa e preconceituosamente do tango ao caminhar pelas largas avenidas.
Os sons da cidade portenha são meio abafados. Todos os ruídos de uma grande metrópole estão lá, mas percebe-se a natureza desértica (baixa densidade populacional) do restante do país como um pano de fundo. Quando as coisas vão se acalmando percebe-se o silêncio preenchendo tudo.
Dentro do táxi, percorrendo os 35 km entre o aeroporto e a capital federal observo vastas planícies, pessoas fazendo pic-nic em família, andando de quadriciclos, caminhonetas e motocicletas de cross. Chegando ao centro começam os "Pi, Pi, Pi" das buzinas dos autos. A buzina na Argentina é institucionalizada. Pí Pí Pí no transito dia e noite sem trégua.
No café da manhã silêncio e um apitinho agudo a cada dois minutos. A cafeteira elétrica sinalizando que está ligada.
No ônibus de turistas no andar de cima sem capota é possível fugir das buzinas e bipe-bipes por um tempinho. Vento batendo nos cabelos, silêncio mais ou menos e tranquilidade. Solzinho que aquece mas não queima a pele. Efeito da latitude ou longitude? O alto falante do guia turístico corta o silêncio. No andar de baixo esperando e preparando para descer percebo que o motorista do ônibus buzina duplamente. Em cada esquina uma buzinadinha curta preventiva contra os malucos que não respeitam a preferencial. E outra buzinadinha malandra provocando las chicas que passam pela calçada.
Passando na frente dos teatros da Av Corrientes, muitos musicais, Peças clássicas, stand-up, show de Blues do DR House e Metallica by request
Hard Rock café.The Cavern Club Buenos Aires. Cafés cafés cafés. Livraria livros e cds de metal para minha coleção.
No cemitério da recoleta. PAX. gatinhos. Só o barulho do vento puxando o ar mofado, morno e azedinho de dentro dos mausoléus com suas portinhas semiabertas e os caixões largados ali para quem quiser ver. Espero que estes aqui de cima estejam vazios e os cheios estejam enterrados sob o concreto. Que susto! Um gato dormindo em cima de um caixãozinho de criança. Tirei foto, conversei, mexi na portinha e ele nem se mexeu. Folgado. Não está me ouvindo.
No Subte show do ACDC, guitarra dupla e violaozinho. Muitas pessoas carregando instrumentos. Saxofone, contrabaixo, etc, pelas ruas da cidade.
Táxi para o aeroporto tocando U2, No pedágio (10 carros, 5 min, é lei). Terminando a música do U2 começa outra e dai eu me pego a imaginar se aquela era uma rádio rock... acho que sim. e me lembro que tinha esquecido do carnaval no Brasil depois de 4 dias desviando cautelosa e preconceituosamente do tango em cada esquina. Sem saudade nenhuma das nossas rádios podres tocando sertanejo universitário, funk, etc, Que sorte tem os argentinos.
Os sons da cidade portenha são meio abafados. Todos os ruídos de uma grande metrópole estão lá, mas percebe-se a natureza desértica (baixa densidade populacional) do restante do país como um pano de fundo. Quando as coisas vão se acalmando percebe-se o silêncio preenchendo tudo.
Dentro do táxi, percorrendo os 35 km entre o aeroporto e a capital federal observo vastas planícies, pessoas fazendo pic-nic em família, andando de quadriciclos, caminhonetas e motocicletas de cross. Chegando ao centro começam os "Pi, Pi, Pi" das buzinas dos autos. A buzina na Argentina é institucionalizada. Pí Pí Pí no transito dia e noite sem trégua.
No café da manhã silêncio e um apitinho agudo a cada dois minutos. A cafeteira elétrica sinalizando que está ligada.
No ônibus de turistas no andar de cima sem capota é possível fugir das buzinas e bipe-bipes por um tempinho. Vento batendo nos cabelos, silêncio mais ou menos e tranquilidade. Solzinho que aquece mas não queima a pele. Efeito da latitude ou longitude? O alto falante do guia turístico corta o silêncio. No andar de baixo esperando e preparando para descer percebo que o motorista do ônibus buzina duplamente. Em cada esquina uma buzinadinha curta preventiva contra os malucos que não respeitam a preferencial. E outra buzinadinha malandra provocando las chicas que passam pela calçada.
Passando na frente dos teatros da Av Corrientes, muitos musicais, Peças clássicas, stand-up, show de Blues do DR House e Metallica by request
Hard Rock café.The Cavern Club Buenos Aires. Cafés cafés cafés. Livraria livros e cds de metal para minha coleção.
No cemitério da recoleta. PAX. gatinhos. Só o barulho do vento puxando o ar mofado, morno e azedinho de dentro dos mausoléus com suas portinhas semiabertas e os caixões largados ali para quem quiser ver. Espero que estes aqui de cima estejam vazios e os cheios estejam enterrados sob o concreto. Que susto! Um gato dormindo em cima de um caixãozinho de criança. Tirei foto, conversei, mexi na portinha e ele nem se mexeu. Folgado. Não está me ouvindo.
No Subte show do ACDC, guitarra dupla e violaozinho. Muitas pessoas carregando instrumentos. Saxofone, contrabaixo, etc, pelas ruas da cidade.
Táxi para o aeroporto tocando U2, No pedágio (10 carros, 5 min, é lei). Terminando a música do U2 começa outra e dai eu me pego a imaginar se aquela era uma rádio rock... acho que sim. e me lembro que tinha esquecido do carnaval no Brasil depois de 4 dias desviando cautelosa e preconceituosamente do tango em cada esquina. Sem saudade nenhuma das nossas rádios podres tocando sertanejo universitário, funk, etc, Que sorte tem os argentinos.
Ave de mau agouro - Camilla Läckberg
Novela Policial do jeito que os suecos gostam (é mesmo?). Bem escrita e organizada com todos os elementos necessários... mas ... achei que faltou alguma coisa. Tudo muito certinho demais. Li a única versão disponível em e-pub, português de Portugal. Muito engraçado, aprendi muitas expressões e palavras novas que não vou utilizar nunca. Muito bom o recurso de dicionário do leitor digital. Só dar um toque na palavra e tá lá a tradução.
Ave de Mau Agouro - Camilla Läckberg, Editora D.Quixote, Portugal, e-book, 408 p. (?) 2012
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Suécia
Mitologia Grega - Coleção SuperInteressante
Coleções da Revista Superinteressante: Mitologia Grega, deuses, heróis e mitos, José Francisco Botelho, Editora Abril, São Paulo, 80 p., 2013
Camilla Läckberg Crime School - Exercício 1
Em seu site (camillalackberg.com) a escritora tem uma "Crime School" onde dá dicas e ensina a escrever romances policiais como os dela:
[_] THE CRAFT - Construct a plot/synopsis
- Todas as provas descobertas pelo detetive devem estar disponíveis ao leitor.
- O assassino deve aparecer cedo a história.
- O crime deve ser grave. Ninguém se interessa pelo roubo das flores do jardim.
- A solução do crime deve ser facilmente deduzida e não entregue de forma truncada no final do texto.
- Deve existir um número conhecido de suspeitos e o assassino ser um deles.
- Regras existem para ser quebradas.
Uma sinopse deve conter os 4 Ms:
- Motive (Porque?)
- Murder (Quem?)
- Means (Como?)
- Moments of Oportunity (Onde? Oportunidade!)
Exercício 1 - Escreva tres cenários diferentes com base nos 4 Ms
A- Quem? Selma. Mulher de 57 anos, traficante de silicone e cafetina. Porque? Dinheiro e respeito. Seus travestis não estavam pagando pelas próteses de silicone e a sua percentagem nas "vendas". Como? Enforcamento Onde? Os travestis apareciam de madrugada em terrenos baldios enforcados e de pinto duro.
B - Quem? Homem de 30 anos. Porque? Traição. Descobriu o caso de sua namorada com um colega de trabalho. Como? Tiro a queima roupa depois de uma discussão acalorada. Onde? Num fundo de vale deserto. Contratou um motoboy para seguir o casal e deu flagrante. Chutou a janela do carro em fuga. Tirou o motorista. Discutiu. Sacou a arma e ...
C - Quem? Mulher de 40 anos, cobradora da estação tubo em Curitiba, solteira, gorda de cabelos oxigenados e acessórios rosa e dourados. Porque? Nada de especial. Só estava se defendendo de um assalto em sua residência onde guardava muito dinheiro. Como? Empurrou o ladrão (seu conhecido?) pela janela do sétimo andar. Onde? Prédio central. Hotel baratoonde o ladrão levou a mulher para fazer sexo com segundas intenções. Ela nem ligava para a beleza e juventude do rapaz. Só queria fumar maconha (seu único vício) Quem 2 ? Quem morreu? ela conhecia todo mundo. Centenas de pessoas passavam pelo seu onibus todo dia. Ela adorava conversar com todos e muitos deles sabiam alguma coisa de sua rotina diária. De seu dinheiro e sua ingenuidade. Foi um acidente. ela nem viu seu rosto. Só o corpo caído lá em baixo. Fugiu deserperada e agora tenta descobrir quem ela matou. Nada saiu no jornal. Indigente? Ele morreu mesmo? teria sonhado? Louca louca.
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Os irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski
Não consegui ler nem metade do volume 01. Muito enrolado. Chato.
Fui enganado pelos elogios do Leminski ao livro.
Fui enganado pelos elogios do Leminski ao livro.
Fim - Fernanda Torres
Boa e velha malandragem carioca, mulheres, praia, bebida, encontros e desencontros de um grupo de amigos. Cada um com sua história contada próximo do fim. Quem vai ser o próximo a morrer?
Texto com ritmo vertiginoso. Variação de estilo de narração.
Legal. Mas falta substância. Tá no caminho certo.
Muito realista e interessantes os fluxos de consciência do personagem chapado curtindo o carnaval
Felicidade Clandestina - Clarice Lispector
Coletânea de contos e crônicas desta doidinha que é a Clarice.
Livro de 1971 relançado.
“Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade.”
Livro de 1971 relançado.
“Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade.”
Os melhores contos brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras
Uma seleção de 100 anos das melhores narrativas curtas da ficção científica brasileira.
Grandes autores como Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles e Machado de Assis.Nomes consagrados da FC nacional: Jerônimo Monteiro, André Carneiro, entre outros.
Gostei particularmente do conto "Número Transcendental" de Rubens Teixeira Scavone por tratar de umas criaturas que eu já havia encontrado na série "Torre Negra" do Stephen King: as Lúminas.
O personagem fugindo de um Sanatório em plena madrugada chega até uma praia deserta e encontra algo...
"Aquilo era apenas uma forma vagamente definida. Os contornos, os limites, eram dados por umaespécie de fluorescência cambiante que aprisionava um conteúdo escuro e menos visível ainda. [...] Aquilo estava a menos de dez metros e ia se aproximando, com a mansidão de quem flutua. [...] Aquilo parou a pequena distancia e ele pode ver prolongamentos que se moviam como tentáculos de um cefalópode. [Ele] olhou para os lados, como se libertando da atração quase hipnótica que a visão lhe impunha. Diluídas pela distância, enxergou ao longe outras manchas iguais, [...]. Observou que a fosforescência brotava das formas como se fosse um líquido pastoso que as protegia do contato direto da atmosfera, pingando sobre a areia levemente iluminada como gotas escorrendo de um círio. [...] Recuou, sentiu que aquilo possuía uma inteligencia, ou pelo menos um instinto, e não logrou conter a frase que era mais um grito, uma súplica do que uma interrogação:
- Quem são vocês? Que querem de mim?
Não obteve resposta."
Os melhores contos brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras
Editado por Roberto de Sousa Causo - Devir Livraria - São Paulo - 2009
O mistério da estrela (Stardust) - Neil Gaiman
Alguns livros e autores não nos empolgam muito e, por vezes, nem terminamos de ler o título até o final (eu sou compulsivo e termino de ler mesmo não gostando). Quando o escritor é muito bom e nos identificamos com ele, queremos ler todos os seus livros, os filmes baseados nestes, as entrevistas, sua biografia, a trilha sonora dos filmes, etc. Começo então aqui uma seção chamada "Livro-Filme-Trilha" onde cito alguns destes casos onde as ideias ultrapassam as folhas dos livros e precisam virar imagens, músicas, interpretações e por aí vai.No livro em questão (Stardust) Tristan ama a jovem mais bela do vilarejo de Muralha. Para ser correspondido, ele atende aos caprichos da moça e lhe faz uma promessa quase impossível de cumprir. Uma estrela cadente que ambos vêem cair do céu valerá a mão de Vitória em casamento. A determinação de trazer a estrela para o vilarejo fará com que o rapaz burle todas as regras e siga para a Terra Encantada, onde supostamente a estrela está. Então, Tristan se vê cercado por piratas voadores, gnomos guerreiros, bruxas esquisitas e sedentas por beleza e princesas do mal. Um mundo de magia está diante dele e tem início um conto de fadas surpreendente e nada convencional.
O filme de mesmo nome foi lançado em 2007 pela Paramount. É dirigido por Matthew Vaughn e conta com os atores Robert de Niro, Michelle Pfeiffer, Claire Danes e Charlie Cox entre outros. É muito interessante assistir o filme logo após ler o livro. Claro que existem grandes diferenças na história, mas o essencial está lá, e o filme é muito engraçado e fantástico.
Um álbum interessante foi gravado em 2006 para homenagear Neil Gaiman: "Where's Neil when you need him?". Cada uma das 17 músicas é sobre um personagem ou uma obra do autor. É bom para colocar no mp3 player e ficar ouvindo depois de ter lido o livro e assistido o filme.
O Mistério da Estrela (Stardust) - Neil Gaiman - Rocco - Rio de Janeiro - 2008
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